O empréstimo consignado é uma das modalidades de crédito mais populares entre trabalhadores com carteira assinada, aposentados e pensionistas do INSS. A principal razão é a praticidade: a parcela é descontada diretamente do contracheque ou benefício, o que reduz o risco de inadimplência para os bancos e facilita a aprovação.
Mas, embora pareça uma solução rápida, é preciso cuidado. O consignado tem regras claras sobre quantos empréstimos podem ser feitos, quanto pode ser descontado do salário e, principalmente, riscos relacionados a juros e endividamento em excesso.
Quantos empréstimos consignados um funcionário pode ter?
Pela legislação, não há um número fixo de contratos consignados que o funcionário pode contratar. O limite é definido pelo valor da margem consignável disponível.
A margem consignável é o percentual máximo da remuneração que pode ser comprometido com empréstimos. Atualmente:
35% do salário podem ser comprometidos com empréstimos consignados;
Dentro desse percentual, 5% são exclusivos para cartão de crédito consignado.
Exemplo prático:
Um funcionário que recebe R$ 3.000,00 líquidos pode comprometer até R$ 1.050,00 por mês com parcelas de consignados (sendo R$ 900,00 para empréstimos e R$ 150,00 para cartão consignado).
Ou seja: ele pode ter vários contratos abertos, desde que a soma das parcelas não ultrapasse esse limite.
Quanto pode ser descontado do salário?
O desconto é limitado ao teto da margem consignável: 35% do salário líquido.
Isso significa que, mesmo que o funcionário tente contratar mais empréstimos, os bancos não poderão liberar se a soma das parcelas já atingir o limite máximo de desconto.
Esse limite é uma tentativa de proteger o trabalhador contra o superendividamento. Mas, na prática, muitas pessoas acabam contratando diversos empréstimos em diferentes instituições, fragmentando o crédito e comprometendo sua renda de forma preocupante.
O problema das taxas de juros
O grande mito do empréstimo consignado é que ele “tem juros baixos”. Embora, de fato, as taxas sejam menores do que em outras modalidades (como cheque especial ou crédito pessoal), ainda assim o custo pode ser muito alto no longo prazo.
Segundo dados do Banco Central, as taxas de empréstimo consignado para trabalhadores da iniciativa privada podem superar 25% ao ano. Já para aposentados e pensionistas do INSS, mesmo com teto regulado, as taxas giram em torno de 1,80% ao mês — o que representa mais de 23% ao ano.
Um empréstimo de R$ 10 mil em 72 parcelas pode facilmente custar quase o dobro do valor contratado, dependendo das condições.
Os riscos do superendividamento
O acesso fácil ao crédito consignado cria uma armadilha: muitos trabalhadores fazem um primeiro empréstimo para cobrir dívidas urgentes, depois recorrem a outro para pagar contas acumuladas, e assim entram em um ciclo de empréstimos sobre empréstimos.
As consequências:
Perda significativa da renda mensal disponível;
Dificuldade em cobrir despesas básicas;
Risco de entrar no cheque especial ou cartão de crédito comum, que têm juros ainda maiores;
Endividamento de longo prazo, já que contratos de consignado chegam a 6 anos de duração.
Como usar o empréstimo consignado com segurança
Analise a real necessidade: use o consignado apenas em último caso, quando não houver alternativas mais baratas.
Calcule o impacto na renda: nunca comprometa o máximo da margem consignável. Deixe espaço para imprevistos.
Compare as taxas entre bancos: mesmo sendo consignado, há diferença significativa entre instituições.
Cuidado com o cartão consignado: ele é o mais arriscado, porque pode virar uma bola de neve com taxas elevadas.
Busque apoio contábil ou financeiro: muitas vezes, uma reorganização das finanças evita a necessidade de novos empréstimos.
Soluções para o seu negócio
Na OnVale, entendemos que o crédito pode ser uma ferramenta útil quando bem utilizado, mas também sabemos dos riscos que ele traz para empresas e colaboradores.
Orientamos empresários a:
Monitorar o impacto dos consignados nos funcionários;
Oferecer alternativas saudáveis de gestão financeira.
E para profissionais individuais, reforçamos a importância de planejamento financeiro e acompanhamento especializado, para que o consignado não vire uma armadilha.
O empréstimo consignado pode ser útil em situações específicas, mas exige atenção aos limites legais e, principalmente, às taxas de juros e ao risco do superendividamento. Mais do que perguntar “quantos empréstimos posso ter?”, a questão central deve ser: “quanto do meu futuro estou disposto a comprometer hoje?”


