O ISS (Imposto Sobre Serviços) é hoje um dos tributos municipais mais relevantes, representando uma grande fonte de arrecadação para as prefeituras e um custo expressivo para empresas prestadoras de serviços.
Com a Reforma Tributária, que começa a ser implementada em 2026, o ISS passará por uma transformação profunda: ele será gradualmente substituído pelo IBS (Imposto sobre Bens e Serviços), que unifica a cobrança do ISS e do ICMS em um modelo mais simples e padronizado.
Neste artigo, vamos explicar como o ISS funciona atualmente, o que muda com a reforma e quais os impactos práticos para empresas de serviços.
Como funciona o ISS hoje
Competência: o ISS é de responsabilidade dos municípios.
Alíquotas: variam entre 2% e 5%, dependendo da cidade e do serviço prestado.
Local de cobrança: em regra, o imposto é recolhido no município onde está a sede da empresa, mas há exceções em serviços específicos (como saúde, construção civil e transporte).
Base de cálculo: o valor do serviço prestado.
Esse modelo gera muita complexidade, já que cada município tem regras próprias de apuração, declaração e fiscalização.
O que a Reforma Tributária muda no ISS
Com a aprovação da PEC 45/2019, o ISS será extinto gradualmente e substituído pelo IBS (Imposto sobre Bens e Serviços), que também absorve o ICMS estadual.
Principais mudanças:
Unificação do ISS e ICMS no IBS
Em vez de lidar com diferentes legislações municipais e estaduais, as empresas recolherão um único imposto, com regras uniformes em todo o país.
Cobrança no destino
Hoje, o ISS costuma ser recolhido no local do prestador. Com a reforma, a regra passa a ser o local do consumidor (município ou estado onde o serviço foi consumido).
Gestão nacional
O IBS será administrado por um comitê gestor nacional, que repassará automaticamente a arrecadação para estados e municípios, eliminando a guerra fiscal.
Transição gradual até 2033
Entre 2026 e 2032, o ISS e o ICMS vão sendo reduzidos aos poucos, enquanto o IBS ganha força.
A partir de 2033, o IBS substitui totalmente esses tributos.
Impactos para empresas de serviços
Simplificação tributária
Deixarão de existir dezenas de legislações municipais diferentes. Isso reduz a burocracia e o risco de erros.
Mudança na carga tributária
Empresas de serviços que hoje pagam ISS entre 2% e 5% podem enfrentar aumento da carga, já que a alíquota do IBS deve ficar em torno de 25%.
Por outro lado, negócios que acumulam créditos tributários (como indústria e comércio) devem ser beneficiados.
Créditos de IBS
Ao contrário do ISS atual, que não gera crédito, o IBS permitirá compensar tributos pagos ao longo da cadeia. Isso pode reduzir o impacto final para empresas que contratam e prestam serviços ao mesmo tempo.
Necessidade de adaptação tecnológica
Sistemas de emissão de notas fiscais e apuração de tributos terão de ser ajustados ao novo modelo digital unificado.
Exemplo prático
Hoje, um escritório de design que fatura R$ 100 mil em um município com alíquota de ISS de 2% paga R$ 2 mil de imposto.
Com a substituição pelo IBS, a alíquota geral deve ficar próxima de 25%. Porém, como o imposto será cobrado em toda a cadeia, parte desse valor poderá ser compensado via créditos. Na prática, empresas de serviços puramente intelectuais, sem muitos insumos, podem sim pagar mais do que atualmente.
Como se preparar para a transição
Mapeie sua carga tributária atual: entenda quanto sua empresa paga de ISS e ICMS.
Simule cenários com o IBS: verifique se haverá aumento ou redução da carga.
Adapte sistemas e processos: prepare sua equipe para lidar com as novas regras.
Revise contratos de prestação de serviços: a cobrança no destino pode exigir ajustes nas condições comerciais.
Conte com apoio contábil especializado: a transição é complexa e exige acompanhamento de perto.
A importância da contabilidade estratégica
O fim do ISS e a chegada do IBS representam mais do que uma mudança de imposto: é uma transformação estrutural na forma como empresas de serviços lidam com tributos.
Um acompanhamento contábil próximo permite não apenas entender as regras, mas também planejar como manter a competitividade diante do possível aumento de carga.
O ISS deixará de existir, mas seus impactos continuarão sendo sentidos por anos durante a transição. A Reforma Tributária de 2026 é um divisor de águas, e quem se preparar com antecedência terá vantagem competitiva.

